De alargamento, Olivedesportos e U. Leiria...

Mário Figueiredo quer redistribuir a riqueza que o futebol português gera de uma maneira justa. Ora
 
Notas de euro
sxc

Nós os portugueses somos muito limitados. Acredito que não seja um problema exclusivamente nacional, que não é, mas o ser humano desde sempre rejeitou o que não conhece, e sempre ostracizou o que vai contra o poder, noções e crenças institucionalizadas. E aqui os jornalistas e os meios de comunicação social têm uma grande quota parte neste papel.

Quando se fala no alargamento da liga, existem 3 factores distintos. Um é o Leiria, que não se pense que é caso único e no futuro próximo vamos ver a realidade do que se passa nos bastidores dos clubes de futebol em Portugal. A segunda é a maneira como o alargamento foi decidido e o que implica, no decorrer de um campeonato, onde se mudam as regras a meio devido ao que se passa nos bastidores de mais de 80% dos clubes nacionais, e implica que mais clubes “comam do mesmo bolo”. E a terceira é o presidente Mário Figueiredo, que foi a ferramenta usada pelos clubes, de maneira democrata, à beira da falência para conseguirem lutar contra o sistema há muito implementado na sociedade portuguesa e em consequência, ao futebol nacional.

Porque é que só agora lemos algo deste género com a intensidade e a quantidade de artigos que se sucedem? Porque é que com esta quantidade de artigos NENHUM faz uma investigação extensa sobre o Leiria, e a partir daí sobre todos os clubes nacionais e sobre o futebol português e sobre quem lucra com ele? Existe um conceito jornalístico que afirma, quando algo não bate certo, deve-se seguir o dinheiro...

Partilhar o mesmo bolo de receitas não implica menos dinheiro no futebol português, implica menos dinheiro para cada clube, e isso implica que se tomem medidas de contenção, tal como acontece no resto do país. Mário Figueiredo quer redistribuir a riqueza que o futebol português gera de uma maneira justa. É uma intenção sensata, honesta e leal. Os grandes levantam-se logo contra, óbvio, basta seguir o rasto do dinheiro para perceber porquê.

E se olharmos com cuidado conseguimos perceber logo isso pela atitude do Benfica, é o único dos grandes que tenta colocar-se em território neutro, o único do qual não se viu nenhuma reação mais agressiva, o que logo é de estranhar ou não estivéssemos a falar do clube com mais poder mediático e massa adepta em Portugal. E porquê?! No caso do Benfica relativamente a Porto e Sporting, é o único que vê nos valores dos seus direitos televisivos um número muito abaixo do que acredita representar o seu real valor. Logo, não será aceitável admitir que os restantes clubes possam pensar da mesma maneira?!

Alguém disse um dia, que nós somos o que pensamos, e olhando para o panorama do país, os clubes só têm 2 maneiras de pensar, ou que isto é o fim, ou que o estado das suas contas não representa o real valor do papel que eles desempenham na 5ª ou 6ª melhor liga europeia, segundo dados da direção da antiga Liga de Clubes. Redistribuir justamente a riqueza não é um conceito comunista, nem socialista nem democrata, é um conceito humano, distribuir para ajudar a melhorar é um conceito que devia ser a base moral de cada um de nós, o problema é que vivemos numa plutocracia, e enquanto os mais ricos tiverem tudo e não admitirem sequer uma tentativa de igualar os campos, então nunca veremos um verdadeiro “mercado livre”, o princípio do capitalismo, onde a competição leal entre entidades deverá por consequência, promover o desenvolvimento tecnológico, intelectual e humano.

Porque não admitir um alargamento? Haverá menos dinheiro por cada clube? Então invista-se mais na formação em vez de na contratação. Quem vai beneficiar disso é Portugal, a seleção e o país. Mas da mesma maneira que o problema do capitalismo desregulado é a formação de monopólios, a decisão de alargar tem que ser regulada e vigiada, com acompanhamento das contas dos clubes e imposição de regras relativamente a contratações de jogadores, e aqui entra a base moral humana como reguladora.

Tal como em todas as áreas da sociedade, no desporto, futebol mais especificamente, temos que abrir espaço para novas ideias e conceitos crescerem, e isso só vai acontecer se não nos limitarmos ao que existe, ao que nos foi imposto.

"Quando mudamos a maneira de ver as coisas, as coisas que vemos mudam". Max Planck.

P.S.: "Plutocracia: Sociologia. Dominação da classe capitalista, detentora dos meios de produção, circulação e distribuição de riquezas, sobre a massa proletária, mediante um sistema político e jurídico, que assegura àquela classe, o controle social e económico." .

I Liga:

Comentários [2]

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Acha que se 3 clubes produzem

Acha que se 3 clubes produzem 90% da riqueza gerada, vão permitir que os outros que geram 5 % recebam mais que a parte k lhes pertence por direito?
Plutocracia?A dominação não será feita pelo organismo que tutela o futebol profissional( Liga de Clubes) em vez de ser pelos 3 grandes? Não é aLiga é que permite que alguns dos seus socios chega á falência sem que mexa uma palha enquanto apresenta milhões de lucro?
Gostaria que me conseguisse responder a estas questões!

Saudações Desportistas

mas produzem 90% de que riqueza? gerada como?

A liga de futebol ganha dinheiro através de contratos publicitários, nao sei se recebe alguma percentagem dos direitos televisivos, logo, os tais 3 clubes que fala produzem riqueza para si mesmo, não para a liga, a Liga essa sobrevive dos contratos publicitários e das multas aos intervenientes, tendo registado em 2010 um lucro de 180mil euros, e tendo gasto nesse ano, 15M, (75% provenientes de contratos publicitários). A riqueza que os 3 (4 com o Braga, é justo) grandes geram (contratos publicitarios, receitas de bilheteira, venda de jogadores, merchandising) para a conta deles vai, não é ai que os pequenos clubes e a liga querem mexer.
Esta redistribuição dos valores dos direitos televisivos refere-se apenas e exclusivamente aos direitos televisivos dos jogos do campeonato nacional, lembro mais uma vez, que os únicos interessados em que os jogos passem na televisão são os grandes, os clubes que mais contribuem para o share televisivo, aos pequenos não interessa, afasta as pessoas do estadio e o dinheiro das suas bilheteiras, por isso, eles querem ser pagos de forma justa, e eu acho mais que legitimo. Não é segredo que os pequenos clubes sobrevivem das receitas de bilheteira, tirarem-lhes isso sem uma contrapartida, é condenarem-os à falência.

Quanto ao facto de a liga permitir que os clubes cheguem à falência, diria simplesmente que não é da responsabilidade da liga a gestão dos seus associados, neste caso dos seus clubes, basta ver que o Sporting encontra-se numa situação de falência, o que seria a liga de clubes agora tomar conta do clube para organizar as suas contas.
A haver responsaveis que não os proprios clubes, que tal como a maior parte dos portugueses vive acima das suas possibilidades graças ao crédito, seria sem sombra de duvida a Federação Portuguesa de Futebol, a mesma que agora na figura do ex-vice-presidente do FCP veta a proposta democraticamente escolhida para o alargamento.
E que mal fará essa redistribuição às contas do clube do seu ex-patrão, que é conhecido publicamente ter exigido uma clausula no contracto entre FCP e Oliverdesportos que obriga a que os valores sejam automáticamente aumentados de forma proporcional ao contracto que a mesma Oliverdesportos venha a renegociar com o SLB. Ou seja, o FCP quer o que os pequenos clubes querem, que os valores que acham justos sejam proporcionais aos valores dos clubes que recebem mais. Irónico não é?

Espero ter conseguido expor o meu ponto de vista. Cumprimentos

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Beira-Mar 1 - 4 Sporting
Liga Zon
19/05/2013 - 18:30
Benfica 3 - 1 Moreirense
Liga Zon
19/05/2013 - 18:30
V. Setúbal 0 - 1 Sp. Braga
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19/05/2013 - 18:30
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19/05/2013 - 18:30
V. Guimarães 0 - 1 Rio Ave
Liga Zon
19/05/2013 - 18:30

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